Act of a demon or the work of god

terça-feira, 30 de novembro de 2010



              
               Aquele caminho era longo, muito longo. Sabia que se eu fosse, em algum momento, teria de voltar. Mas isso não me importava tanto... As árvores ao redor, o ar fresco daquele campo artificial e a leve brisa que carregava levemente meu corpo eram tudo que eu queria sentir, não importava a distancia, eu só queria mais uma vez aquela sensação. Sentir algo puro era tudo o que eu queria. Sair daquela turbulência, daquela agitação desnecessária, do egoísmo, mascaras e mais mascaras... corações frios. Fechar-me num casulo verde e calmo, isolado daquele ar cinzento e nuvens escuras de carbono que choviam tristeza e rancor.
            Então corri. Corri até que minhas pernas não pedissem mais para parar, apenas não se agüentassem e me empurrassem no chão. E já sem fôlego eu levava o restante do meu corpo ao encontro do chão. Deitado e ofegante. Nada mais passava por minha mente. Não ouvia buzinas, brigas, brocas, britadeiras. Apenas o som que as folhas faziam quando a brisa passava por elas.
            Eu sabia que em algum momento teria de voltar ao tumulto, mas enquanto estava ali estava livre! Era quem eu quisesse ser.Podia ser eu mesmo. Tudo era sublime, puro, sem mascaras. A cidade não existia, os prédios não existiam, a dor não existia.
            Mesmo assim, sempre voltarei para o mundo que chamam de real até o dia que conseguir levar tudo que preciso para que meu casulo verde seja perfeito, ate que consiga levar você.

sábado, 30 de outubro de 2010

Odeio títulos

Até hoje não sei ao certo quem é você
Não sei ao certo de onde te conheço
Quando começou...

Mas talvez isso não tenha importância,
Porque quando vejo a lua
É você quem vejo brilhar

E quando toco a brisa
É você quem eu queria
Que estivesse aqui para tocar.

É quem eu quero que me desfaça
Que torne minha estática, dinâmica
Que faça do meu andar, desequilibrio

Pois é você quem me embriaga
Como a luz do luar
E me traz sensações tão sublimes
Que não sei explicar.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Cala querendo ser mudo.
Já sabe que suas boas idéias
Não ajudaram o mundo

Nada se pode fazer.
Fecha os olhos querendo ser cego,
Não a nada que valha para se ver

Tapa os ouvidos querendo ser surdo
Já sabe que quando ouve
Ouve os sons de absurdos.

Mas ainda ousou uma vez
Estender as mãos para dar esperança.
Recebeu, em troca, esmolas de um mendigo
Que teve pena desse pobre louco.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

           Saudade daquela grama, perto daquela árvore qualquer que intitulei como marcadora de um local. Daquele lago que ficava à minha frente. Da luz fraca do fim da tarde, bem próxima do anoitecer. Dos barulhos que se ouvia de longe da rua movimentada das redondezas daquele pequeno parque...
           Saudade das sextas-feiras em que ia para lá, para esse parque, com minha melhor amiga, com nossa barra de chocolate branco e nossa coca de 600ml. Ficavamos deitados na grama apenas adimirando o céu, adimirando as luzes dos faróis que começavam a se acender, batendo nossos papos supostamente filosóficos, contando de nossas vidas, de nossas alegrias, de nossos problemas....
           A última vez em que deitei naquela grama - uns dias antes ou depois do meu aniversário, isso já não importa - deitei sozinho, derramei minhas lágrimas e desde então me vejo assim: só.

sábado, 2 de outubro de 2010

(insira aqui um bom título)

Não, não sou aquela pessoa fria
Que você sempre me apontou ser.
Não sou aquele homem insensível
Que sempre me disse ser.
 
Sou como todos são,
Tenho os sentimentos que todos têm.
Sinto amor, vejo ódio,
Tenho inveja, sou hipócrita.
 
Sou como todos os homens,
E aprendi a esconder minha face,
Assim como escondem as suas.
Só consumo mais uma mascara.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010


E é então que me completa
E traz a sensação desse sentimento,
Tão complexo em sua simplicidade,
Que me embriaga em totalidade.

A alma, que já fora de um único corpo
Liberta-se e se entrega num outro.
Dividiu-se em duas, uniu-se em dois;
E com sua alma me invade o Amor.

E esse Amor, inexplicável em razão,
Queimando eternamente entre serenidade e paixão,
É imenso tal qual algo imensurável,
Em distancias, em palavras.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Ser e Amar

Meu ser, tão eterno e tão desatento,
Procura os mais perfeitos adornos,
Tenta encaixar todos os pedaços
Da minha alma, que ama e vive em desordem.

Eu procuro pela simples essência
Intrínseca no bom poeta morto.
Procuro, em palavras, minha existência.
E o que explique o meu amor por teu corpo.

Mas amar é tal como o pensamento,
Chega do aparente nada, em torpor.
Buscando a cerne de algum sentimento

Levando meus versos pelo vento
Procurando pelo breve momento
No qual possa revelar um amor.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Hueco

Não chega a ser tristeza
Não chega a ser solidão
Ou talvez seja... Quem sabe?
Talvez apenas uma necessidade...
De um amigo
Ou de um amor.
Talvez de uma atenção qualquer.
Talvez eu sinta uma angustia
Algo que me corrói
Aos poucos, não sei onde...
Apenas sinto um vazio.

domingo, 26 de setembro de 2010

Um dia escrevi sobre um amor...

O que posso falar de um amor? Ele simplesmente nasce. Mas não como uma flor de sua semente; nem seu florescer é semelhante. O desejo se constrói aos poucos ou abruptamente e não se escolhe por quem. Talvez seja algo do destino (para quem o crê) ou talvez queiram acreditar que foi o destino para se livrarem do fardo de uma coisa ter saído de seu controle. Mas não importa como surgiu, importa? O importante é que ele seja intenso, que reajamos intensamente a ele. Não importa que os maus amores do passado tenham ferido, pois certas experiências passadas não devem interferir nas presentes. Devemos simplesmente amar. Esse sentimento, quando verdadeiro é eterno em uma alma, e não há outro ser vivo ou a própria morte que o possa apagar da alma.

--No title--

Não sei se uma brisa
Lembraria o doce e aconchegante
Bater de suas asas.

Não conheço o teu perfume
Mas sei que será o seu
Quando sentir o mais suave e nobre deles.

Não sei o quão quente é yeu corpo
Mas quando o acolher em meus braços
Saberei que é o mais terno.

E quando tocar suas asas
Passarei delicadamente
Pena após pena
Até que chegue a teu corpo
Até que chegue a tua face
Até meus lábios chegarem aos seus.

E quando esses meus ingênuos,
Mas tão verdadeiros desejos
Puderem ser saciados
Não restaram mais duvidas
De que foi o mais belo dos anjos
Que me trouxe o amor!